Ajudando a criança a regular suas emoções

Qual é a mãe ou o pai que nunca teve de lidar com um episódio de birra de seus filhos?

A verdade é que todos nós já presenciamos algum desses episódios. No shopping, no supermercado… Vemos adultos constrangidos, sem saber ao certo como agir, tentando acalmar a criança sem o menor sinal de sucesso.

Isso pode acontecer com qualquer criança, típica ou atípica.

É possível evitar que crianças tenham esses rompantes de choro, gritos e esperneio? Talvez não seja possível impedir que isso aconteça, mas certamente há diversas atitudes que contribuem para minimizar esses momentos.

O que fazer antes que a birra apareça?

  • Rotina e previsibilidade: a criança precisa de uma rotina definida. O adulto deve garantir que o dia a dia da criança seja organizado e previsível, ou seja, a criança deve ter clareza e ser capaz de prever, por exemplo, que ao acordar ela primeiro vai escovar os dentes, depois se trocar, depois ela vai para a escola, ao voltar da escola vai almoçar e então descansar um pouquinho, fazer os deveres etc. Esta previsibilidade e estabilidade traz segurança para a criança, o que reduz a ansiedade e torna a criança mais tolerante à emoções desagradáveis.
  • Previsibilidade na quebra de rotina: quando num dia qualquer houver algum compromisso ou acontecimento que represente uma mudança ou quebra de rotina, comunique a criança antecipadamente. Saber de antemão onde está indo e/ou o que vai acontecer a ajudarão a compreender o contexto, sentir-se segura, menos confusa e menos ansiosa.
  • Expectativas e limites claros: comunique de forma clara, direta e objetiva quais comportamentos são esperados da criança em cada local e contexto, o que é permitido e o que não é, respeitando a capacidade da criança em corresponder ou não de acordo com a sua faixa etária e maturidade cognitiva, motora e emocional.
  • Atenção aos sinais: geralmente o adulto cuidador consegue identificar sinais de irritação, cansaço, impaciência, sono, fome ou outros desconfortos na criança. Ao identificar algum desses sinais, observe quais estímulos podem ser mitigados antes de se tornarem insuportáveis. Caso não seja possível remover o desconforto, nomeie-o para a criança e esclareça a situação, dizendo algo como: “você deve estar com fome. Aqui não tem nada para comer, mas em meia hora chegamos em casa e almoçamos”.

E depois?

  • Estimule o diálogo: após um episódio de desregulação emocional, depois que a “poeira baixar”, procure a criança e incentive-a a falar e refletir sobre o que aconteceu. Mantenha uma atitude acolhedora, iniciando uma conversa com algo como: “percebi que ontem você ficou muito bravo quando estávamos em… O que foi que aconteceu?” Ajude a criança a perceber o que ela estava sentindo, quais acontecimentos a afetaram e de que forma, utilizando uma linguagem adequada à idade e maturidade da criança.
  • Acolher os sentimentos e reforçar os limites: demonstre para a criança que você compreende suas emoções – por exemplo: confirme que a situação realmente foi revoltante e fazia sentido sentir raiva ou que foi um acontecimento doloroso e fazia sentido ficar triste. Você pode até compartilhar situações em que sentiu emoções semelhantes. Então, reforce para a criança os limites que ela extrapolou, esclarecendo a diferença entre sentir (raiva, por exemplo) e agir (quebrar objetos, xingar ou bater no coleguinha).
  • Cantinho da calma: pensem juntos em coisas que a criança pode fazer quando o sentimento estiver “muito grande”; desenhar, modelar, rasgar papéis de rascunho, dançar, ouvir uma música etc. Providencie uma prateleira, gaveta ou caixa que esteja acessível à criança e que contenha os materiais necessários para essas atividades.

Todas essas ações podem ser muito potentes para auxiliar a criança a desenvolver-se emocionalmente de forma saudável, mas nada é mais poderoso do que o seu exemplo!

A criança observa e apreende a forma como você experimenta e manifesta as suas próprias emoções. Quando você cuida das suas emoções, conseguindo vivenciá-las e expressá-las de forma saudável, além de fazer um bem a si mesmo, está contribuindo para o amadurecimento emocional e fortalecimento das crianças ao seu redor.

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Autora: Carolina Miranda Mello Clepard – CRP 06/77217

Texto produzido pela autora a partir de sua experiência em atendimentos clínicos, discussões de casos, cursos e leituras técnicas.

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Texto de caráter informativo que não substitui o atendimento psicológico.